quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Capítulo 5 – A seleção – A entrevista

O dia amanheceu com um sol meio tímido, mas eu estava tão ansiosa e radiante que para mim parecia um dos dias mais ensolarados em LA. Abri meu closet, olhei e achei que nenhuma das roupas que lá estavam serviam para eu utilizar naquele dia, aquela dúvida de sempre, o que vestir em ocasiões tão especiais.
Gritei: - Margareth, venha cá me ajudar! E ela prontamente apareceu
Marg: - Sim senhora, o que deseja?
Eu: - Por favor, o que eu visto? Esse, este ou aquele ?
Marg: - Senhora, como é uma reunião de negócios sugiro a roupa branca, com a camisa azul.
Agradeci e achei que a escolha era realmente perfeita. Estava tomando um banho demorado em minha banheira para relaxar quando meu esposo entra e me pergunta se eu iria demorar muito, aquilo me irritou profundamente, há alguns meses nós já não tínhamos nenhuma intimidade e o que ele fazia ali?
Respondi rispidamente, peguei o roupão e fui me vestir nada iria estragar aquele momento nem ele resolvi deixar esse problemão para ser resolvido depois. O que me interessava agora era meu emprego. Vesti-me, fui até o espelho e depois de longos meses consegui olhar em um espelho e gostar da imagem que via, era realmente muito bonito o conjuntinho branco de saia até o joelho, justa, mas sem exageros.
Achei que estava linda! E realmente estava. A combinação com a blusa azul havia ficado perfeita, combinava com meus olhos fazendo com que os mesmos ficassem mais bonitos do que realmente eram. Maquie-me, perfumei-me, desci as escadas, peguei o carro e fui para a bendita entrevista.
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Eu estava sentada naquela recepção maravilhosa, tudo lá era grandioso e lindo. Cadeiras em couro branco e madeira na cor ébano. Mesas rústicas também na cor ébano. A produtora ficava um pouco afastada de Los Angeles, era uma mansão antiga e muito ampla. Toda decoração era muito bem elaborada, com muito bom gosto. Tudo parecia uma obra de arte e podia até jurar que alguns dos quadros ali expostos nas paredes deveriam ser autênticos, minha mente se dispersou, olhando tanta beleza mas eu não podia me deter nesses detalhes, pois, o mais importante seria essa entrevista e eu tinha que me manter calma e determinada.
Junto comigo havia mais 12 pessoas, todas com o mesmo interesse, me senti meio mal naquela recepção, parecíamos todos famintos atrás de uma única fatia de bolo, pensei logo, perdi mais essa.
Comecei a lembrar que estava acostumada a ser requisitada, alguns empresários muitas vezes faziam ofertas para a compra do meu passe, me faziam propostas muitas vezes bem vantajosas, mas todas foram por mim recusadas. Não me prestava a esse papel, sempre fui leal. E hoje estava eu ali com medo de não passar em uma entrevista. Que mundo irônico.
Não demorou muito tempo para que a figura de Chris viesse em minha mente e lembrei-me dele falando que eram algumas vagas, ou seja, mais de uma, relaxei um pouco, procurei me acalmar respirando fundo, tentando usar todas as técnicas da yoga, que foram em vão.
Passamos ali alguns longos minutos quando uma bela moça veio até nosso grupo e solicitou que nós a acompanhássemos até uma sala, que na realidade, era uma espécie de sala de ensaios de dança.
Lá a bela moça de nome Judith (simpatizei com ela de imediato, ela era detentora do mesmo nome da minha Juh), perguntou se alguns de nós gostaríamos de café, água, suco ou qualquer outra coisa. Claro que o nervosismo nos impediam de querer algo, aliás, queríamos, ser entrevistados e acabar logo com aquela agonia.
Eu tinha uma sensação completamente assustadora, sentia-me observada, analisada, sei lá, de repente sinto um arrepio subir pela minha coluna até a minha nuca, como se algo me possuísse, senti esta mesma sensação quando estive no zoológico com os meus filhos e uma linda pantera negra me encarou.
Deixei isso para lá devia ser só uma sensação, ali aguardando fomos conversando uns com os outros e acabamos por nos conhecermos melhor, todos lutando por um emprego, algo em comum nós tínhamos. Simpatizei-me com duas pessoas: a Vanessa e o Charles e acho que foi amizade à primeira vista, pode ser possível isso?
Depois de algum tempo, um rapaz muito bonito, alto, loiro, entra no recinto, apresenta-se como assessor direto do dono da empresa.
Seriam três etapas, a primeira todos nós que estávamos ali havíamos sido aprovados pois foi uma análise de curriculum, a segunda fase seria uma entrevista com ele e a terceira seria uma dinâmica de grupo que seria realizada em um final de semana em um Hotel.
Nos foi comunicado que dependendo de nosso desempenho na entrevista e na dinâmica, provavelmente muitos de nós seríamos contratados pois a empresa estava precisando de funcionários qualificados.
Nisso nossa esperança aumentou bastante, a minha então triplicou, sabia que meu curriculum e meu potencial eram excelentes mas tanto tempo longe do mercado de trabalho me deixava com uma pontinha de insegurança.
Começaram as entrevistas em ordem alfabética, relaxei, porque até que eu fosse chamada.. com certeza seria uma das últimas, depois de mim só havia um Paul e a Vanessa. Aguardei bastante tempo, e a fome começou a dar sinal de vida, houve uma interrupção nas entrevistas e pudemos sair para fazer um lanche.
O lanche nos foi oferecido na mansão era uma mesa farta, tudo muito saudável, fiquei encantada quando vi um monte de sushis, sashimis, e sucos de todos os tipos...é alguém ali tinha um gosto similar ao meu.
Terminado o momento lazer, retornamos aos nossos lugares. Passaram-se mais algumas horas e finalmente, por volta de 16 horas eu sou chamada para ir à sala de reunião.
Quando entrei pude perceber que a sala mais parecia uma sala de interrogatório, daqueles filmes de interrogatório do FBI, havia um grande espelho e uma porta ao lado, uma mesa de parquet, um grande lustre que pendia sobre a mesa, algumas cadeiras também de couro branco, acompanhando a linha da decoração da sala de recepção, um microfone e duas câmeras posicionadas na parte superior da parede atrás de onde Frank estava sentado.
Tocava uma trilha sonora ao fundo que pude identificar como sendo de um dos meus ídolos, o estranho é que era somente instrumental, nunca havia escutado as músicas dele dessa forma, fiquei curiosa mas não quis me desconcentrar e me desliguei um pouco daquilo. Aquele som maravilhoso até me fez relaxar mais do que a minha tentativa frustada da yoga.
Por um momento tornei a me arrepiar e me sentir olhada por olhos de um felino.
Começa a entrevista, Frank me comunica que a entrevista seria filmada e gravada. Aquilo nem me abalou e parece que eu fiquei possuída, fiquei espantada pela desenvoltura que com que eu respondia às perguntas, com a franqueza e com a precisão. Falar sobre mim mesma, sobre o meu trabalho e sobre meus sonhos era gratificante.
Quando realmente fiquei à vontade, pude reparar que Frank tinha um ponto eletrônico no ouvido direito, e que por várias vezes parecia que ele esperava alguém falar com ele para proferir alguma pergunta.
Determinado momento as perguntas deixaram de ser profissionais para serem de cunho pessoal e eu não me senti muito à vontade com aquilo, mas de qualquer maneira respondi algumas dessas questões de maneira rápida e sem muito aprofundamento.
Pude perceber um brilho diferente nos olhos de Frank, ele já não estava mais com a expressão pesada nos olhos, seus olhos pareciam duas estrelas brilhantes, o sorriso já podia ser visto no canto da boca em algum momento provocado por algumas de minhas respostas.
Após 2 horas, Frank deu por encerrada a entrevista e eu o cumprimentei com um aperto de mão, ele segurou minha mão com firmeza e tentou me puxar um pouco dando a entender que gostaria de se despedir com um beijo no rosto. Assim eu aceitei e também retribui com um beijo na bochecha. Ele me comunicou que este final de semana eu deveria estar à disposição da empresa para a dinâmica de grupo e que um carro da empresa me pegaria em casa na sexta-feira por volta de 20 horas. Agradeci e me retirei da sala.
Não sabia ao certo o que havia acontecido, se a entrevista tinha sido boa ou não. Só sei que eu estava satisfeita, sai de lá dei um abraço em Vanessa, trocamos telefone, desejei-lhe boa sorte e me despedi.
Enquanto isso, dentro da salinha de entrevista, a porta ao lado do espelho se abre ....

Capítulo 6 – “Rolando um Sentimento”
- Frank? E aí, o que você achou da pantera? – Michael falou rindo.
- Ufa... Eu estou sem ar até agora!!!
- Como assim sem ar Frank? Tá maluco?
- Mike, ela é maravilhosa, você reparou direitinho...
- Frank, Frank, é claro que eu reparei. Fui eu que mandei você fazer aquelas perguntas para ela esqueceu cabeçudo? Por que você acha que eu me interessaria tanto em saber há quantos anos ela era casada? E outras perguntas muito pessoais.
- Desculpa, Mike, eu me esqueci. Você reparou no brilho do olhar dela, no sorriso maravilhoso que ela tem? na sensualidade com que mexe nos cabelos, o movimento cadenciado dos lábios....
- Frank, para!! Você está exagerando, e mais, EU gostei dela, e você sabe que quando eu gosto de uma coisa eu quero para mim, não sabe? – pergunto incisivo e olhando bem nos olhos de Frank, que abaixou os olhos e falou:
- Tá bom Mike, eu só falei a verdade, ou estou mentindo? Você não pediu a minha impressão? Meu interesse é apenas no curriculum dela, tá bom?
- Frank.... – Mike divagando - Você reparou o quanto ela é diferente da foto que havia no curriculum? Se fosse por aquela foto, ela nunca teria conseguido o emprego...rsrsrs. Como pode alguém assim tão arrebatadora ficar tão esquisitinha numa foto? A sorte dela foi ter um “senhor” curriculum.
- Ah... e me lembre, da próxima vez a foto dos curriculuns tem que ser de biquine.
E assim os dois gargalharam e Mike retornou para trás do espelho porque afinal de contas Frank ainda tinha que cumprir a tarefa de entrevistar mais dois candidatos. Tarefa essa que não adiantaria de nada para Michael, pois ele já havia decidido, pelo menos, quem seria a pessoa que trabalharia todos os dias ao seu lado na produtora, os outros cargos disponíveis o próprio Frank poderia selecionar.
Michael retornou ao seu lugar e não pensava mais nada, não prestava atenção a mais nada, só lembrava do jeito da moça falar, do olhar que ela lançava parecendo o olhar de uma pantera faminta, o brilho daquele cabelo sedoso.... Aiii pensou Michael, chega!!! Essa mulher me deixou alucinado.
De repente ele lembra que ainda existe mais uma etapa da seleção do cargo, e isso o faz delirar e imaginar o que ele poderia fazer para que eles se aproximassem sem que ela se sentisse ameaçada. Ainda tenho três dias para isso vou pensar algo.
Mordeu o lábio inferior, fechou os olhos e deu aquele sorrisinho maroto.