sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Capítulo 2 – Conhecendo um pouco de mim
Estamos no ano de 2006. Acho que devo me apresentar: Eu sou Nathaly, sou uma jovem balzaquiana, divorciada, branca, pareço até a Branca de Neve, de cabelos castanhos e olhos azuis, baixinha, quase um metro e sessenta, mãe de 2 filhos: Daniel (12) e Judith (Juh) (11).
Vou à Academia todos os dias pela manhã, corro na esteira ouvindo as músicas que amo - todos os dias as mesmas músicas - faço musculação, nada muito pesado somente o suficiente para delinear as curvas de meu corpo e manter-me com a saúde em dia.
Amo comida japonesa, chinesa e mexicana. Cozinho divinamente, embora não o faça com frequência, pois tenho uma excelente assistente (Margareth) que me auxilia com esses pormenores. Tenho por hábito vestir taillers pois o meu cargo assim exige, nas horas de lazer costumo sempre usar roupas leves, folgadas e claras.
Minha maior diversão é ir aos parques temáticos, acompanhada de meus filhos, é lógico. Esse hábito adquiri com um grande amigo. Cinema, teatro, passear em parques, tudo isso é meu hobby.
Sou formada em Economia, doutorada, pós-doutorada, entre outros títulos, fui presidente de uma grande empresa de investimentos em NY e hoje ocupo um cargo de confiança dentro de uma grande empresa de Produção, a qual não posso divulgar o nome, por sigilo de contrato.
Meus filhos, estes sim, hoje, são a razão da minha vida. Daniel quer ser físico nuclear e Judith é apaixonada por música, quer muito se tornar uma grande guitarrista. Acho que os dois, um dia, conseguiram o que querem.
Hoje moro em um apartamento de luxo, último andar de um prédio, em um bairro famoso em Los Angeles.

Capítulo 3 – O marco
Voltando no tempo, ano de 1998.
Há algum tempo, sofria de depressão, quando vendo um filme que adoro, comecei a passar mal e fui levada às pressas para o hospital. Minha pressão arterial estava elevadíssima e todos no hospital acharam que eu teria um AVC, a correria foi total para tentar reverter o quadro clínico no qual eu me encontrava, nenhum médico entendia como uma jovem de 27 anos poderia dar entrada no hospital com um quadro de possível derrame cerebral.
Esse foi o sinal para que eu mudasse a minha vida, quando me recuperei do susto jurei para mim mesma que as coisas não ficariam dessa forma, busquei uma força, nem sei de onde, mas tentei recuperar-me e não me entregar mais a esses pensamentos negativos.
Logo que sai do hospital e fui para casa, minha grande amiga Susie aconselhou-me a procurar um analista para fazer uma terapia, e assim eu o fiz, meu tratamento no início foi difícil por que só sabia chorar e nada mais, foram semanas dessa forma. Por conta dessa depressão que havia se instalado em meus pensamentos, já havia alguns anos que eu havia abandonado meu lado profissional, só fazia algumas coisinhas pequenas para amigos, aplicação em bolsa de valores, às vezes cálculos de empréstimos, nada do que anteriormente eu estava acostumada a fazer, nada de tomar decisões que poderiam decidir a vida financeira de uma grande empresa. A vida havia me dado uma rasteira e eu havia caído de quatro e ficado lá na sarjeta. Nem para dirigir mais eu tinha ânimo, cinema, teatro, dança.. isso tudo...nunca mais.
Aquele jeitinho extrovertido, irreverente, compenetrado, sedutor, criança e brincalhão sumira completamente do meu ser, dando lugar a uma mulher amarga, triste e insuportável.
Aos poucos a terapia foi auxiliando-me e devagarzinho fui retornando os passos da minha vida, em primeiro lugar voltei a dirigir, comecei com pequenos passos até chegar aos de grande porte, como viagens para outros estados, sozinha com meus filhos, sem meu esposo.
O próximo grande passo seria voltar ao mercado de trabalho. Essa era a tarefa mais difícil.

Capítulo 4 – Minha volta à vida

Com a ajuda da terapeuta Leyla eu conseguia me erguer, voltei a ter amor próprio, e a tentar voltar a ser a Nathaly de antes.
Resolvi que tinha que voltar ao mercado de trabalho, estava forte, segura, decida, retomei meus estudos e resolvi fazer meu doutorado.
A tarefa de voltar ao mercado de trabalho quando se está afastada é árdua, mas mesmo assim, não esmoreci, por que se almejava mudar a minha vida tinha que ser agora ou então não seria nunca mais.
Contratei uma empresa de Consultoria em Recursos Humanos, muito renomada, eu pretendia exercer um cargo similar ao que ocupava anteriormente, para isso precisava de uma empresa de porte para oferecer o meu curriculum às grandes empresas.
Assim passaram-se alguns meses, continuei no meu doutorado, comparecei a algumas entrevistas em empresas, algumas até gostei, mas outras realmente eram empresas que não havia uma perspectiva de se chegar a algum lugar.
Trabalhar simplesmente por trabalhar nunca foi meu pensamento, sempre fui uma pessoa dedicada a tudo que fazia, sempre dei minha alma pelas empresas nas quais trabalhei e agora não seria diferente, amava desafios, e preciso fosse abriria mão de um salário tão alto apenas para que me sentisse útil e que pudesse mostrar todo o meu talento.
Um dia Christian - meu Consultor dentro da empresa da RH – telefonou-me e informou que uma empresa nova estava entrando no Mercado e estava contratando um grupo de 10 pessoas para compor a diretoria e a gerência da empresa.
Das necessidades que esta empresa necessitava uma delas era uma profissional que detivesse exatamente o meu perfil.
Assim sendo, Chris rapidinho ligou para mim e me propôs que eu participasse de um processo de seleção que seria difícil, pois segundo informações o dono da empresa era uma pessoa muito exigente.
Esta empresa era uma Produtora de Vídeo e Som, fiquei realmente intrigada, deveria ser muito bom trabalhar em uma área que era de meu total interesse: música e vídeo.
Aceitei na hora fazer a seleção.
Ali se iniciava mais um capítulo da minha história.